segunda-feira, dezembro 03, 2018

quarta-feira, novembro 21, 2018


Um piano e a escuridão da clareira.
Uma barriga empanturrada num casebre.
De cabeça, não se chega a conclusão alguma
De pé, à espera de um bom gosto
que dê decência à falta de amor.

segunda-feira, novembro 19, 2018

transacção



andaste meia ponte para me mandar embora
eu andei outra meia para dizer que não havia paixão.
regressamos aos pontos de partida
de lágrimas nos olhos.

quarta-feira, novembro 14, 2018

she eyes me like a Pisces when I am weak


lamento balbuciar onomatopeias e não histórias.
nada como uma boa história para encurtar distâncias.
como a que separa o teu sono da realidade, 
e a que te separa de mim.

segunda-feira, novembro 05, 2018

confronto a uma mão.

Neste silêncio as casas gritam. 
Podia também dizer assim: 
As tuas mãos segam na sombra 
Deixam a fruta madura à porta 
do coração.

- Rui Costa, em "A Nuvem Prateada das Pessoas Graves"

 

P.S.: Percebi agora que me roubaste a desforra. Seria novamente Mike Tyson contra um principiante, ou arrancar-te-ia uma orelha? Eu continuo a dançar, aos socos com a vida. Não é justo não medirmos forças, porque um está morto na vida, e outro vivo na morte.

quarta-feira, outubro 31, 2018

Ele não. Ele nunca.

Um dia não haverá um lugar sem cancro. Sem sujidade ou ódio.
Um dia não restará discórdia. Seremos unos na nossa miséria.
Um dia estaremos condenados. Nesse dia não teremos opinião.
Um dia chegará a nossa vez.
Sofreremos o que tememos anos a fio, quando paralisámos:
que o mundo fosse assustador.
Um dia ninguém se lembrará que vivemos no paraíso,
e deixamos o ódio consumir tudo.