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quinta-feira, julho 09, 2009

Reflexão:

Sendo que o ginásio surge como (palavras dos media, não minhas) o templo dos tempos modernos, onde se exorcizam os demónios gordurosos do corpo e se cimenta, bloco a bloco o culto da perfeição e maximização do físico, e os donos dos health clubs atafulham os bolsos com carcanhol, surge o reverso da medalha. Um curioso reverso. Pois não existe Porto sem Penafiéis, não existe Nova Iorque sem arranha-céus na América Latina, surgem os ginásios de fisioterapia. Fisioterapia: essa salvação dos aleijados pobres e da classe média. O fisioterapeuta aparece como o personal trainer de muita gente, misto de psicólogo, padre e professor de educação física de pessoas que não foram a tempo de saber o que era educação física na escola, ou o que era a escola. Entre passadeiras, bicicletas, levantamento de pesos, massagens, esses ginastas sem escolha revezam-se entre camas e aparelhos, não na busca por um corpo perfeito, mas por um corpo melhor. Não querem o céu, apenas a terra. Não querem uma religião, apenas o curandeiro. E à hora marcada não falham a entrada, à hora de saída lá seguem exaustos para o quotidiano impaciente, que não terá misericórdia dos seus tendões ainda por aquecer ou do percurso que terão de mancar. E por lá ficam semanas, meses, anos, ao ponto de deixar de ver ali uma espécie de urgência de hospital a que se recorre em última instância e com vista a uma recuperação tão rápida quanto possível, para ali ver um ginásio, de facto, com rotinas predefinidas, para superar o corpo que nunca é superado, sem ser precisa a ajuda de ninguém. Dá que pensar.