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terça-feira, agosto 19, 2025

o monte

 os lobos uivaram há muito tempo. os fetos esqueceram-se do pau que os vergastava na mão de uma criança sem tempo. os eucalitpos caídos até à porta da quinta, foram o presságio do efémero de tudo.

depois, veio a mudança. a morte dos avós. o fim do monte, mais casa que a própria casa, chegou.

se calhar nunca esteve a salvo do futuro. a quinta tornou-se um lugar. que se tornou uma aldeia, à qual a cidade se estendeu timidamente. boas notícias, sem dúvida para quem precisa de terra e dos seus frutos para comer. de um centro de dia para sua velhice.

as silvas teriam sempre de ser sacrificadas no altar da especulação imobiliária. para dar lugar à ganância dos prémios trimestrais aos agentes facilitadores de obtenção da cidadania nacional.

mas o monte existia para ser eterno. mesmo às portas da urbe e cerceado pela auto-estrada, o monte existia para ser de todos. e não esquecido, como o passado.



terça-feira, agosto 05, 2025

o bicho

 

o duro. o bravo. o único.
o penta. o cabeceador de olhos azuis.
o praxante. o carregador de piano
fazedor do trabalho sujo.
que nunca quis partir.
o que voltava sempre.
o menino das antas.
o senhor de sevilha, gelsenkirchen e tóquio.
o capitão dragão.
o meu homónimo.

deixaste-nos muitas lágrimas nos olhos à custa de tantas vitórias, bicho. deixaste-nos água na boca por aquelas que estavam por vir.
que notícia triste, bicho. e ao mesmo tempo, que bonito ter-te tido no final na casa que foi sempre tua.

sexta-feira, dezembro 23, 2022

honor

13 anos agarrado à mesma cadeira. De olhos postos no mesmo monitor, sob a banda sonora do mesmo martelar de dedos no teclado. 13 anos de bons dias começados, solenemente, sob o signo solar d' O Jogo, lido no café, e terminados quando tivesse de ser, noite dentro, no feriado seguinte, ou até no fim-de-semana. Nestes 13 ouvi música neste lugar. Escrevi alguns poemas e crónicas também, encavalitados entre as petições, contestações, pedidos de explicações e alegações de recurso. Tornei-me numa determinada pessoa que não era, neste espaço que habito como segunda casa. Que inaugurei, vi amadurecer, ser visitado, povoado, despovoado, com a naturalidade da chegada e partida das estações. 

Não sei como vou ser eu daqui para frente, sem estar recortado pelo mesmo sítio, pelas mesmas pessoas, os mesmos sons, as mesmas rotinas. Apenas sei que mudarei, na mesma cadência que passou o tempo que passei no meu lugar, até o meu tempo neste lugar ter passado. E eu já ser uma pessoa mudada.

Vou ter saudades. Muitas. Mas saio feliz, ao contrário de quando entrei. E essa é uma mudança boa.

quinta-feira, maio 18, 2017

death of the spoonman

Andava no secundário quando iniciei a minha verdadeira educação musical. Em Penafiel ouvia-se punk. Hip-hop era coisa de mansos, ou de gajos de Paredes (toda a gente tinha um fraquinho por determinado rapper fosse ele dos RATM, dos Beastie Boys, Da Weasel ou Mind Da Gap, mas bico calado). Rage Against The Machine era a banda favorita de todos os meus melhores amigos, e por muito contra a corrente que tenha remado, acabou por ser a minha também. Rage tinham acabado em 2000, estávamos em 2003: parecia injusto a um recém-nascido como eu não poder ver o Zack em palco ou ouvir os solos do Morello ao vivo, solos que eu cantava de cor, como se fizessem parte da letra.
Numa emissão do Top +, que eu via religiosamente ao sábado à tarde, anunciavam o lançamento do primeiro álbum de um super grupo formado pelos músicos de Rage e o vocalista de Soundgarden. O gajo da Black Hole Sun? Aquela música que passava de vez em quando na RFM? Esse. O clip que passaram naquela tarde era da Like a Stone. A voz grave e triste numa balada não podia contrastar mais do estridente e reivindicativo flow do Zack, mas era puro mel. 5 minutos e tal de música, com direito a solo cheio de uá-uás do senhor do boné. Viria a ser das poucas músicas que alguma vez soube dedilhar numa guitarra. Facilmente se tornou a minha nova música favorita. Decorei o solo (claro), decorei a letra (quando o google ajudava), gravei a música no meu nokia 5510 mal tive oportunidade e quando a apanhava na rádio exigia à minha mãe que não mudasse de estação. Entretanto veio o cd pirata que eu ilustrei com uma pobre réplica da chama que esmagava a superfície dum planeta alienígea qualquer. Era simples, evocativo mas cartoonesco e sem se levar a sério, e escondia ouro. Aquele primeiro álbum de Audioslave era Rage e mais qualquer coisa. Enfiava uma colher de grunge à antiga, numa colherada de riffs, para os miúdos que como eu tinham crescido no nu metal. E esse grunge todo estava naquela voz rouca, que um amigo meu asseverava com toda a propriedade ser impossível de replicar. A minha nova música favorita ganhou uma porrada de irmãs.
Quando a melomania começou a atacar-me a sério, e o reportório de remédios começou a aumentar deitei a mão ao Superunknown (cd pirata, óbvio). Andava no 1.º ou 2.º ano de faculdade. Os tolinhos do grunge já estavam muito à minha frente, mas sempre acreditei ter todo o tempo do mundo para ser feliz, por isso calma. Que álbum de clássicos: os acordes estridentes da The Day I tried to Live, a coolness da My Wave, a gravidade da 4th of July, o frenesim da Spoonman e da Let Me Drown, foram a banda sonora perfeita daqueles anos. Os obscuros e desenquadrados anos de 2005, 2006 e 2007, que num curso que pouco me estimulava, tinham uma banda sonora à altura. E mesmo que o meu sofrimento fosse muito particular, e aquele cd fosse mais batido que o arroz de 15, fazia todo o sentido nos meus ouvidos, de adolescente tardio.
A Black Hole Sun ganhou quilómetros de rodagem no discman e no mp3 da creative e tornou-se no hino para mim que já era para milhões de grungeiros mundo fora. Quando a malha passa na noite, existe um sentimento de comunhão entre nós, os misfits da sociedade, os eternos incompreendidos, com idade para ter juízo. Fechamos os olhos e berramos com todo o ar que temos cá dentro. Purifica. I shit you not.
Porém, o meu amor descansava noutro sítio. Na música que falava sobre o desconhecimento do nosso destino, de sermos envolvidos por dias negros. Naqueles anos dias negros eram todos eles. E não tinha piada nenhuma. Não era fácil encontrar motivação ou um estado de espírito ideais para os enfrentar. A música, no entanto não era dramática. Era sofrida, contida e... fixe. Fixe como só quem sofre com uma guitarra nas mãos sabe ser, sem querer dar tréguas a quem o ouve.
Aqui chegado, é difícil dizer adeus. É certo que ele fez uma música de merda para o 007, que os Audioslave acabaram para os Rage ganharem uns cobres a mais, e que o tipo foi trabalhar com o Timbaland num golpe de rins com quem ninguém contava (catchy, justiça lhe seja feita), porém, ele esteve sempre lá. Com aquele timbre impossível de replicar, que podia estar carregado de efeitos que se reconhecia a milhas. Ouvi-lo cantar ao longo dos anos foi mais do que uma honra, saber que lhe devemos a ele e aos Soundgarden a existência de Pearl Jam e o caminho de sucesso dos Nirvana, já é mais do que merecemos. Não sei como se agradece a quem canta uma boa parte da banda sonora que te fez ser quem és. Não sei como se diz adeus a alguém que não conheces, mas que te deu tudo o que pedias pedir, até gostares demasiado dessa pessoa que lhe perdoas todos os desvarios. É uma forma de amizade ou amor. E custa encaixar que há um dia que essa pessoa, irreversivelmente, não te vai poder dar mais do que aquilo que te deu. Com outra metade da vida pela frente, com uma seca de vozes únicas no panorama (um gajo tem de se consolar com Adeles e Winehouses), e com a possibilidade de ser um novo Cash ou Bowie, é particularmente doloroso. E injusto.
Posto isto, até sempre Chris Cornell.  Espero encontrar-te no moshpit do Céu. Ou do Inferno, se for mais a nossa praia.

quarta-feira, dezembro 07, 2016

10 anos de guarda-chuva em punho, no fim de todas as coisas

Este espaço é importante para mim.
É a razão pela qual escrevo este post, no dia de hoje, e pela qual escrevo muitos outros sem razão ou motivação nenhumas. A ânsia literária e a comoção emocional podem não ser as mesmas que noutros tempos (ou décadas?) mas ainda dá sinais de vida: a música continua a acompanhar-me, ininterruptamente; a vontade de contar histórias, sem princípio, meio ou fim, dá-me umas pontadas no peito de quando em vez, e desabafo com a mesma voracidade ou nostalgia quando o drama assim o exige.
Passaram-se dez anos desde que um episódio particularmente infeliz numa noitada de copos na faculdade me fez repensar uma série de aspectos da minha vida. Dei por mim a tentar amadurecer comportamentos, pensamentos e atitudes. Na sequência disto, cortei laços com um blog um tanto ou quanto emo que escrevia na altura e lancei-me a este. Este ia ter a liberdade total como medida. Seria igualmente legítimo como portal de crítica artística, de filosofias de café, de ficção, de viagens, de notícias, de poesia, de odes aos que nos deixam, de tudo o que eu fosse e vivesse, em cada momento.
Claro: um blog feito diário dependerá sempre da pessoa que nele escreve, chame-se umbrellameansfreedom.com ou José António, e a mudança podia ser meramente estética. Mas não considero errado criarmos mecanismos para nos disciplinarmo a ser mais criativos, autênticos, e  se não for pedir muito, mais maduros. Este blog ajudou-me a isso (mesmo quando, muito concretamente, não ajudou). E tudo começou pela escolha do link: um guarda-chuva, que no meio da tempestade, me desse liberdade de ir para onde eu bem entendesse.
10 anos após, este espaço continua importante para mim, porque ter essa liberdade é, de facto, muito importante para mim.
Aos que desse lado, ao longo dos anos, resistiram e insistiram em ler-me, conhecidos e desconhecidos,  um muito obrigado. Sem leitores qualquer texto é um monólogo; graças a vocês, os meus puderam ser um diálogo.

terça-feira, maio 27, 2014

Parabéns Embaixador!

Ouvi falar do senhor há pouco tempo, e tenho pena. Nunca o vi ou conheci, e com mais pena fico. Tenho para mim que me dedicaria a atenção, a paciência e as gargalhadas que dedicou a todos aos alunos, aos seus pares, aos seus amigos e colegas durante décadas e décadas. Décadas e décadas, sim escrevi bem. Um homem, sem pretensões de instituição, que até ao fim dos dias dançou de sorriso na cara, e nunca quis mais nada para além isso. O mesmo homem que levou uma dança de chão para uma dança de céu. Desde a fundação, à divulgação, à passagem de testemunho. E a tratar cada parceira como a única e derradeira rainha. Todos podem dançar, todos devem dançar: ensinou ele. Deu o exemplo a dançar até ao fim da canção, com vitalidade e alegria de viver. É das últimas grandes lições que aprendi recentemente: é possível viver intensamente, viver com o corpo todo a transpirar vida, pronto para se enraizar em tudo e para saltitar sem nada atrás. A alegria como um fim em si mesmo, à mão de semear e fácil de obter, despendendo o mesmo carinho que merece qualquer coisa bela e delicada.
A dança dele não podia ter sido outra senão o que foi. Todos nós devíamos dançar como ele: como se a nossa felicidade dependesse disso. Afinal, a vida é mais dança do que jogo.
Faria hoje 100 anos. Faleceu aos 94. Um bem haja Embaixador: saltaste o mundo todo, nem o Lindy himself, conseguiu semelhante.


(Eis Mr. Manning aos 91. Um século a atrapalhar mas sem atrasar a precisão e graciosidade dos movimentos.)




(E claro, a que no entender dos entendidos é e será a melhor coreografia de Lindy Hop alguma vez filmada. Coreografada, mas não creditada, a Mr. Manning, que também a executa no seu fato macaco. Tinha 27. E em 1941 como em 2014 ainda deixa qualquer um burro)

segunda-feira, maio 26, 2014

10 anos após Gelsenkirchen - as Europeias que interessam


26 de Maio de 2004. Portugal preparava-se para receber o Europeu, Mourinho continuava o ultimate bad ass, os portistas amaldiçoavam o Scolari à Bella Gútman por não convocar o Baía, o Carlos Alberto ainda podia ser o próximo Ronaldo (o original), e o Ronaldo (o "Xianinho") ainda jogava no Sporting com um penteado maravilhoso. Há 10 anos atrás, a Alemanha viu uma equipa portuguesa vencer uma equipa francesa, após uma fulgurante caminhada que passou pelo "abate" dos ingleses do United, e dos super-hermanos do Depor. Era Portugal num pedestal e pôr o resto da malta toda às vénias.Há 10 anos atrás, fomos pela 2ª vez em dois anos à final da competição europeia em que estávamos inscritos. E ganhámos. E se em 2003 foi uma batalha, a suar até ao último segundo, em 2004 foi limpeza. 3 - 0. Indiscutível, indefensável, sem argumentos. Tão limpinho, que o Mourinho nem lhe deu para outras tonterias á excepção de beijar o caneco. Mais uma prova do toque divino de PdC, Jorge Costa e Baía entram no altar das lendas, Deco transforma-se em mais um D. Sebastião prestes a embarcar, e uma data de heróis, de ilustres desconhecidos e ninjas, que ficam para sempre ligados à (verdadeira) última grande vitória do futebol português.

sexta-feira, abril 18, 2014

ninguém escreveu ao coronel, mas ele escreveu-nos o universo

"«O azar não escolhe ocasião», disse ele com profunda amargura, «Nasci filho da puta e morro filho da puta."»

- Gabriel García Márquez, in "Cem Anos de Solidão"
(1927 - 2014)

 

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Mandela

(1918-2013)

Não vou repetir a tua biografia repetida até à exaustão nos media e livros de História: não é por isso que ganha mais brilho. Ensinaste-nos que nada era impossível quando o amor bate certo e compassado nos nossos corações, e descobrir melhor lição do que essa, isso sim, me parece impossível. Provaste que podias desiludir, errar e odiar, no fundo que eras falível, humano. Da mesma carne humana de que são feitos os heróis dos Homens. Houve quem te dissesse que nos ensinaste o mesmo que Jesus, o Nazareno, ensinou aos seus, sob o jugo romano, há mais de 2000 anos atrás. Não podia concordar mais. Amar o próximo e perdoar quem nos ofende, só está ao alcance dos nobres de espírito, mas demonstrar como se faz para quem quiser ver e repetir, nem sei o que é preciso ser-se para o conseguir.
Obrigado.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

A cena toda são eles!

O Cardoso Guarda e a Dona Gracinha, nos tempos de mocidade. A montagem é manhosa mas o sentimento não. Hoje, com 85 e 83, respectivamente, com saúde para dar e vender e a mandar o status da velha escola. Sem dever nada a ninguém e de cabeça bem levantada.

segunda-feira, novembro 02, 2009


Ponto 1 - António Sérgio, o homem-uivo da "Hora do Lobo" faleceu hoje de madrugada. A rádio e o underground musical devem-lhe muito mais que uma homenagem e que o esquecimento a que era remetido no passado recente.


Ponto 2 - Ao que parece o lançamento mundial de "Caim" em Penafiel apenas teve direito a livros da 2ª edição para venda. Os exemplares da 1ª edição estavam guardados para o lançamento posterior em Lisboa. "La hipocrácia"

segunda-feira, agosto 10, 2009

Façam o favor de ser felizes


Um sentido e profundo adeus a Raúl Solnado, o homem que ensinou gerações de portugueses a rir de boas piadas.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

The New Beat

Cada vez acredito mais, que está na hora de nos tornarmos aquilo que nascemos para ser.
Porquê?
Teremos mesmo de estar sempre a questionar tudo? Tudo? E mais alguma coisa? E a resposta é: sim.
Cada vez acredito mais que cada um tem mais do que algo para dar. Todos e cada um temos algo a dizer, algo a perguntar. Afirmar. O aqui e o agora. Porque ali e depois, já poderão ser tarde demais. Por isso eu digo: é esta a hora.
A hora de finalmente percebermos que o 1+1=3
Que o todo foi feito para ser maior que a soma das partes. O uno não existe. O dual é uma merda. Nós nascemos para sermos algo mais do que aquilo que somos. Nós nascemos para ser vida e para ser Deus.
Fartei-me da vida. Farto-me dela a cada dia, e farto-me da puta desta máscara. A minha liberdade termina onde acaba a dos outros, é certo. Mas e se a minha liberdade, for a dos outros, e se também eles, ao invés de se protegerem nas suas convenções e nos seus limites e nas suas invenções racionalmente elaboradas para que os sentimentalistas não os atrapalhem nos seus planos de vida, tragicamente elaborados, ao longo dessa vida inteira, deixarem ser-se aquilo que nasceram para ser? E se também eles não baixarem os braços e só levantarem a voz para gritar, e nunca jamais para oprimir?
Resumindo: se nós não nos auto-limitarmos, como poderemos limitar os outros?
E se toda esta nossa vida, fosse apenas uma caminhada para este momento que agora termina?
E se toda esta vida não passasse de uma arma para disparar flores ao céu e cair chuva que nem água benta a baptizar-nos todos?
E se tudo isto fossemos nós?
E se a vida não acabasse porque ninguém quer que ela acabe?
E se a revolução não fosse feita de armas, mas de gritos, de alma combatente?
Acredito na violência. Na verdade, acredito que a violência é o único caminho, para ser eu e sermos nós em plenitude. E pensar nos outros. Nunca esquecer os outros. Não ignorar ou querer ignorar o gajo que é diferente. Fazer de conta que não vimos a gaja boa a atravessar a rua. Arrebitar só nariz quando vemos o político a mentir, uma e outra vez. Prosseguir caminho quando um senhor da guerra voltou a matar crianças como quem mata formigas que tiveram o azar de organizar a sua existência para aquele momento que as conduziu invariavelmente para debaixo do seu pé.
Eu sou eu e as minhas atenuantes. Vocês são vocês e o resto. E nós somos o todo e o todo que há de vir. Em nós está presentemente a chave da felicidade, da desordem, da criação, da poesia, da lei, da arte, do nada, do quase tudo, da electrónica, da física, da química, da biologia, porque tudo isso e muito mais nunca conheceu outros que não nós. NÓS. E a glória antiga e a glória que há-de ser e que há-de voltar a nós.
O guarda-chuva só é liberdade enquanto formos nós a carregá-lo. É que 2 ainda vá que não vá, mas 3 debaixo do mesmo chuço, já é fruta a mais. Que custa afinal abri-lo, ainda que com o seu custo miserável, e uma estúpida porção do nosso estúpido tempo perdido, se podemos, na pior das hipóteses ser felizes? Por nós, e por mais ninguém. Mas sê-lo com alguém. Viver para aquele momento em que dá AQUELA música. Para AQUELA mosh no SBSR. Para AQUELA desmarcação num ringue manhoso, numa qualquer Primavera. Para AQUELA molha que quase nos matou, enquanto corríamos. Para AQUELE mergulho em plenas águas geladas da Amorosa. Para aquela miúda de quem gostamos, e que tanto gostávamos que nos desse mais que um olhar, mas que basta que um olhar nos dê para o filho da puta do dia estar ganho.
E AQUILO que eu chamo de “AQUELES” não são senão o ISTO, o AQUI e o AGORA.

Será tão difícil perceber que isto somos nós e o resto que fizemos, acontecemos e quisemos que assim fosse?
Porque eu quero ser o tudo. Quero ser o nada e mais ainda. Quero ser o Demónio Azul. Quero ser Der Blaue Reiter. Quero ser Nefasto. Ser O Mais Infame Arauto da Loucura. Ser Adamastor. Ser o Alfa. E ser o Ómega. O Inicio e o Fim. O que foi e o que há-se ser. O Verbo e o Apocalipse. Um anjo e um poeta. Um arauto e um profeta. Vida e Morte conjugadas, como se mais do que um só se tratasse.

Foda-se!

E se eu posso ser isso tudo, porque caralho não podem vocês sê-lo também?



“this manifesto is very much for real”

“Tenho a certeza de que não achei o que procuras. Porque, se tu procuras, só tu podes achar.” – in “Aparição

“De onde vimos? Para onde vamos? – Podemos apenas responder – Vimos de onde vós não estais, vamos para onde vós não estiverdes.” – Eça de Queirós

“Porque haveria o artista de se julgar obrigado a submeter-se a um poder cuja força reside apenas no número?” – Nietzsche

“O Homem está condenado a ser livre” – Sartre

“Sinto todo o meu corpo deitado na realidade
Sei a verdade e sou feliz.” – Alberto Caeiro

[the new beat]