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segunda-feira, agosto 22, 2016

tudo acaba e se desfragmenta enquanto os deuses lutam no espaço, indiferentes.


"Nunca mais
Caminharás nos caminhos naturais.

Nunca mais te poderás sentir
Invulnerável, real e densa -
Para sempre está perdido
O que mais do que tu procuraste
A plenitude de cada presença."

Sophia de Mello Breyner Andresen, "Poesia"

terça-feira, agosto 16, 2016

rituais nas clareiras dos montes queimados



"Não se perdeu nenhuma coisa em mim.
Continuam as noites e os poentes
Que escorreram na casa e no jardim,
Continuam as vozes diferentes
Que intactas no meu ser estão suspensas.
Trago o terror e trago a claridade,
E  através de todas as presenças
Caminho para a única unidade."

Sophia de Mello Breyner Andresen, "O Jardim e a Casa", em "Poesia"

segunda-feira, agosto 08, 2016

baile pagão


"Tudo me é uma dança em que procuro
A posição ideal,
Seguindo o fio dum sonho obscuro
Onde invento o real.

À minha volta sinto naufragar
Tantos gestos perdidos
Mas a alma, dispersa os sentidos,
Sobe os degraus do ar..."

Sophia de Mello Breyner Andresen, "Poesia"

terça-feira, agosto 02, 2016

uma fantástica vinda


"Espero sempre por ti o dia inteiro
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda."

Sophia de Mello Breyner Andresen, "Poesia"

sexta-feira, julho 29, 2016

"basta-me respirar de vez em quando"



"Cidade suja, restos de vozes e ruídos,
Rua triste à luz do candeeiro
Que nem a própria noite resgatou."

Sophia de Mello Breyner Adresen, "Poesia"

terça-feira, julho 26, 2016

E nunca as minhas mãos ficam vazias.

"Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão
A força dos meus sonhos é tão forte
Que tudo renasce a exaltação.
E nunca as minhas mãos ficam vazias."

Sophia de Mello Breyner Andresen, "Poesia"