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segunda-feira, junho 08, 2015

"O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto."

Ruy Belo, "Homem de Palavra(s)"

 

quinta-feira, dezembro 18, 2014

"dá-me o balanço"

Não estamos na última semana do ano, talvez seja cedo para fazer balanços. Mas o meu está feito. Os meus votos escolhidos. Não preciso de mais 15 dias.
Comecei a aprender lindy hop.
Comprei um carro.
Tornei a minha vida mais saudável (menos álcool, menos tabaco, mais exercício: essa bela fórmula alquímica).
Aumentei a folha de rendimentos.
Aumentei a folha de despesas ("com um grande poder, vem uma grande responsabilidade").
Internet, em casa, a velocidade de gente.
Almocei com um embaixador.
Fiz um Inter-Rail.
Fiz check na Croácia.
Fiz check em Paris.
Actuei no F.I.T.A.
Actuei no F.I.T.U.
Abri com festa a primeira noite do 40 de Abril.
Fechei com festa a última noite do Xmas Rock Fest.
Matei uma velha maldição que pairava sobre as minhas relações pessoais.
O meu balanço são dados concretos. Coisas que aconteceram, de uma maneira pior ou melhor. Gosto delas assim. São paralelas a outras (ou mais) desgraças, derrotas, e desconsiderações que também marcaram presença em 2014. Mas não entram no meu balanço.
Porque o meu balanço é feito de coisas e de momentos que me propus a alcançar ou que me dispus a abraçar. E consegui, com sorte e engenho. Perseverança também.
Hoje é o dia em que digo que 2014 foi "o" ano. O ano em que fui e vivi uma data de coisas, um bom ano. Hoje, é o dia em que assumo neste espaço, sem reservas, que 2014 foi um bom ano. E que os anos que hão-de vir, com outros monstros sagrados para vergar, hão-de ser bons anos também.

quarta-feira, dezembro 10, 2014

XMAS ROCK FEST - X ANOS

Era 2004 e o Nuno um mancebo de 16 anos, cheio de ganas de tocar com a sua banda de então, os Social Suicide. Ao lado da Igreja onde o coro cantava, havia um espaço recreativo deserto e mal amado, o velhinho C.C.C. que ocasionalmente acolhia festas da catequese e aulas de ballet. Deram-lhe carta branca para fazer o que quisesse; ele fez o primeiro Xmas Rock Fest. À festa juntou os supra-sumos do punk da terra, os míticos Fora de Serviço, e uma banda que dava os primeiros concertos longe de Coimbra, cujo guitarrista era afilhado do pai de um amigo: os Fita-Cola.
Era 2004, e foi em outras 6 ocasiões. Muitos concertos para amigos e para grandes massas, entre os confins de Luzim, as caves do Pavilhão de Exposições, o twilight do Rib's e o C.C.C., sempre o C.C.C., qual Sameiro a indicar o caminho. Ao longo dos anos, o Xmas ganhou e perdeu um irmão (o Ignition) que chegou a ser mais popular do que ele. Ele, com as cruzes meias fodidas da moche, lá se foi aguentando, mais edição, menos edição.
Seja rock, punk, hardcore, ou hip-hop o Xmas continua a marcar o imaginário da juventude de Penafiel como festival que os miúdos fizeram acontecer, e que continuam a querer que aconteça, quanto mais não seja porque é, para muitos, o seu primeiro festival, e a porta de entrada num mundo musical muito mais lato. O Xmas é quase aquele amigo mais velho que nos mostra música fixe quando volta à terrinha, de longe a longe, pelo Natal com histórias altamente para contar.
Este ano ele voltou. Em boa hora, para soprar as 10 velas, em vez do Nuno, que vai andar ocupado, juntamente com o Fernando, a apagar outros fogos.
Senão acreditam no poderio da festa, a Sãozinha explica:

terça-feira, outubro 21, 2014

O Guarda-chuva (Agora) Significa (Mesmo) Liberdade




Em 2006, iniciei este blog com um propósito libertador: de convenções, de medos, de sofrimentos. Quis ter um espaço onde, com a mesma naturalidade, que as minhas emoções fossem o peso e a medida, as minhas opiniões fossem ponderadas e certeiras, e um diário da minha humilde existência pudesse aflorar tranquilo com as suas tendências e idiossincrasias. No fundo, dar largas à crítica e à imaginação sem me sentir culpado ou condicionado.
A metáfora do guarda-chuva para liberdade vinha-me dos tempos de infância e adolescência: em dias de chuva (grandes tempestades), o "chuço" era um livre-trânsito para andar na rua à vontade. Ruas essas desertas, porque só um maluco anda à chuva, mesmo que remotamente abrigado. O guarda-chuva ganhou o estatuto de fiel amigo, com o qual poderias ir e fazer o que em condições normais não podes. Uma espécie de frágil liberdade, que a qualquer momento pode ser varrida do mapa, e requer que sejas tu a segurá-la pela própria mão para ser eficaz.
Em Setembro de 2014, iniciaram-se os protestos em Hong Kong contra a possibilidade de o governo de Pequim predeterminar os candidatos ao governo de Hong Kong, sujeitos a sufrágio, em violação, do estatuto de autonomia da região e das elementares regras de democracia e autodeterminação dos povos. Os protestos, conduzidos em grande parte pelos estudantes de Hong Kong, souberam prevalecer e furar a Grande Muralha de Bloqueio informativo chinesa e chegar ao mundo, que um irredutível movimento resistia hoje e sempre contra o invasor e contra brutais cargas policiais que pretendiam assegurar o normal funcionamento das instituições, indiferentes a trivialidades como a representatividade do seu Executivo. Os protestos de Hong Kong contra uma doutrina de quero-posso-mando-e-calou, que pulula nos mais diversos cantos do mundo não se deixou ficar, nem amedrontar face à diabolização nos seus media, nem com a falta de diálogo da outra parte. Batalharam por princípios, com princípios. Contra os canhões marcharam, não de espingarda, mas de guarda-chuva em punho, constituindo o maior afronta à ditadura chinesa desde Tiananmen.
Se quando rebentaram os protestos a minha solidariedade com este movimento foi imediata, a partir do momento em que descubro que a sua designação mais "oficial" e pela qual, muito provavelmente, ficará conhecida na História, ser "Umbrella Revolution" ou "Umbrella Movement", não podia deixar de fazer esta exortação. Que a voz nunca lhes doa, que a perseverança nunca lhes falhe nos braços e os pingos de chuva ou das lágrimas nunca lhes condicione a liberdade.

sexta-feira, outubro 10, 2014

Vencedora da Liga dos Campeões "Se és estúpido, estudasses e sai-me da frente" 2014


Quando uma rapariga de 14 prefere levar um tiro do que guardar desaforos em casa, por não a deixarem ir à escola, a pergunta só pode ser uma: qual é a tua desculpa? Para tirar a cabeça da areia, para questionar o que sabes, para saberes mais, dar voz à tua insatisfação e nunca desistir. Aos 17 anos já demonstrou mais coragem e clareza de espírito do que vidas inteiras de gerações de fundamentalistas cujo único deus é a morte, e de burocratas cujos únicos lemas são dinheiro e conveniência. Malala começa como um exemplo para as mulheres e para as crianças, daí para o Paquistão, e o Paquistão faz ver o mundo inteiro. Que nunca lhe falte a força ou a voz. Que as Malala's deste mundo nunca se calem, seja no Paquistão, Hong Kong, Kiev, Caracas, ou Portugal (eu sei, Portugal é um país e as restantes são cidades/zonas administrativas, a ideia é essa), e que nós as saibamos ver, ler e ouvir, independentemente do credo, raça, género, ou mesmo ideologias. Por um mundo melhor, temos de ser todos melhores. Um prémio é pouco, todos os demais são "peaners".

"Let us remember: One book, one pen, one child, and one teacher can change the world."

- Malala Yousafzai