segunda-feira, dezembro 30, 2013

come at me 2014!


"Each passing day, every passing face
Seems like such a blur
I long to be
Home, silently
Lying next to her
Just to get back, by her side is all
All I need to be
Cause I went away
But what I really left
Left behind was me "

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Mandela

(1918-2013)

Não vou repetir a tua biografia repetida até à exaustão nos media e livros de História: não é por isso que ganha mais brilho. Ensinaste-nos que nada era impossível quando o amor bate certo e compassado nos nossos corações, e descobrir melhor lição do que essa, isso sim, me parece impossível. Provaste que podias desiludir, errar e odiar, no fundo que eras falível, humano. Da mesma carne humana de que são feitos os heróis dos Homens. Houve quem te dissesse que nos ensinaste o mesmo que Jesus, o Nazareno, ensinou aos seus, sob o jugo romano, há mais de 2000 anos atrás. Não podia concordar mais. Amar o próximo e perdoar quem nos ofende, só está ao alcance dos nobres de espírito, mas demonstrar como se faz para quem quiser ver e repetir, nem sei o que é preciso ser-se para o conseguir.
Obrigado.

quinta-feira, novembro 21, 2013


"A tua geração não sabe beber. Bebem pelos motivos errados. Os da minha geração bebem porque é bom, porque sabe melhor do que abrir o colarinho, porque o merecemos. Bebemos porque é o que os homens fazem. (...)
Os do teu género, com os vossos pensamentos sombrios e as vossas preocupações andam demasiado ocupados a lamber uma ferida imaginária."

- John Slattery como Roger Sterling em "Mad Men"

terça-feira, novembro 19, 2013


"Desaba toda sobre mim, vem resolver o meu dançar
Que o corpo sobra se não dobra, nós fomos feitos para estragar"

sexta-feira, novembro 15, 2013

just ain't


(os durões serão sempre os piores lamechas. e quando o sabem, transformar a tristeza em comédia, pode fazer todo o sentido.)

terça-feira, novembro 12, 2013

"Dantes - mesmo muito tempo depois de me ter deixado - Anny inspirava os meus pensamentos, como se eu quisesse ser-lhe útil. Agora já não penso por ninguém, nem sequer me ocupo a procurar palavras. Mais ou menos depressa, uma corrente flui dentro de mim, mas não retenho nada. Deixo andar. A maior parte das vezes como não se prendem as palavras, os meus pensamentos ficam em estado de nevoeiro. Desenham formas vagas e engraçadas, depois imergem e esqueço-me logo deles."

Jean-Paul Sartre, in "A Náusea"


quarta-feira, outubro 09, 2013


"No entanto, dava-me a sensação que, podendo voltar atrás, teria tido uma vida idêntica à que levara. Porque esta vida - uma vida repleta de perdas - era eu. Era o único caminho de que dispunha para ser eu."

- Haruki Murakami, in "O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo"



quarta-feira, setembro 11, 2013

rimas que não rimam com nada

a tiragem do imperial pasquim desbobinava, acelerado!, largas primeiras páginas A3. eu, estava recortado, impaciente contra o vento e o sol poente do fim do verão, à espera das notícias. o coração ansiava por um cigarro, mas a razão, a decrépita e rabugenta razão, aconselhava a meter as mãos nos bolsos, contar as moedas, e aguardar o tranformar do mundo todo, ou a sua viragem no sentido da minha inspiração. atrás de mim, uma audiência onde a razão se discutiria mas argumentaria o coração, tardava, não se realizaria, eu já sabia. ficaria tudo na mesma, como até aí, adiado. as máquinas da gráfica continuavam a desbobinar papel furiosamente. eu não tinha tabaco quando saíram as primeiras páginas e as primeiras páginas apenas, um pouco pelo país todo. os cabeçalhos, as parangonas vinham em branco.


"Ser livre não é ser feliz. Ser livre é não deixar morrer o espírito."

- Miguel Guilherme, sobre Bocage

terça-feira, setembro 10, 2013


"Um carro topo de gama terá o seu valor, não o nego, mas não passa de um automóvel caro. Qualquer pessoa com umas massas pode comprá-lo. Ao passo que um bom sofá, exige discernimento, experiência e toda uma filosofia de vida. É impossível adquirir um sofá perfeito sem uma ideia clara do que é um sofá."

- Haruki Murakami, in "O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo"


sexta-feira, agosto 16, 2013

your jesse



O pessoal da terra já fazia fila só para coçar de ansiedade. A pergunta lançada à boca pequena: para quando sai o álbum de jesse? Ora do nada os ménes, puxaram dos trunfos, de um dia para o outro. Á cara podre e sem pudor. Começando com "Rayleigh Scattering e o descomunal trecho "DREAMERS / TAKE SHAPE OF PLANETS IN HOLLOWS / THROUGH SONGS OF UNIVERSE ", passando pela viagem frenética de "Gala The Left Eye Shut", o desamparo de "The Perfect Storm / A Broken Skyline", inseparáveis dos convidados especiais, até à apoteose catastrófica de "The Last Movie On Earth", jesse manipulam as nossas emoções enquanto injectam cosmos e matéria negra em recantos de alma que desconhecíamos existirem dentro de nós. Seria redutor dizer que jesse é um underdog do rock alternativo tuga, uma banda revelação a pisar os calos a quem aspira à Champions, porque na verdade jesse não é uma banda rock, é um projecto artístico.

terça-feira, agosto 06, 2013

maciço conquistador. avesso a toda a dor. eu prossigo cantor, a arder. eu posso escolher, mas não escolho amor. eu sou o que for, mas nunca serei menos que o horror.


quinta-feira, agosto 01, 2013

podre

o prémio de consolação é: umas vezes ganha-se, outras vezes perde-se, para a próxima é tudo diferente, preciso aprender com os erros, não se pode ir a todas. o desespero: quem pensa o filho da puta que é? não admito nunca mais semelhante, tranco-me em casa, não falo com ninguém nunca mais, passo fome, desato aos tiros, escrevo livros, choro muito, o que for, que se foda, não compactuo mais com mafiosices de quinta categoria como se precisasse delas ou como se alguma vez estar debaixo da pata de algum aspirante a senhor feudal me tenha deixado melhor do que o que estava. uns murros e cabeçadas na parede depois: umas vezes ganha-se, outras vezes perde-se

sexta-feira, julho 26, 2013

casa de cartas

nem o teu estatuto de animal enjaulado aprisiona o brilho das tuas cartadas. deixas os visitantes na dúvida de se tratar de mero show-off, mas a ti nada disso te incomoda: vives bem com áreas cinzentas. formado na escola da vida, tiraste mestrado na nobre arte de as manipular, expandir e deslocar em função das tuas conveniências. quem te visita vê um condenado, pela própria essência, a definhar e morrer sozinho: é o que acontece aos animais selvagens em cativeiro. quem te alimenta não compreende o porquê de morderes a mão que te alimenta, enquanto a porta de saída, 24 horas por dia, está aberta.

segunda-feira, julho 01, 2013

Juno

aquela mãe, jovem como as nossas mães, percebeu tudo pelas unhas do ser concebido: tinha unhas, logo existe. as nossas mães, então jovens, quase crianças, perceberam isso numa epifania de maturidade, e não tiveram medo: deixariam ser, crescer. como unhas. mas as mães, na candura do seu amor, não percepcionam para além desse ser, e do tal crescer. porque ao ser, cresce, ao crescer embate. choca quando se pontapeia paredes em raiva. entorta quando vicia, como os jogos, empena e fica para sempre assim. adoece, escurece, enruga, amedontra. morre. mas nunca pára de crescer. mesmo embatida, chocada, pontapeada, torta, viciada, empenada, doente, preta, enrugada, medonha, nunca pára de crescer. e quando morre, renasce, com esperança, mas já morta. sempre morta. sempre condenada. as mães não sabem que o fim é quando se desaparece, e que, como as unhas, andamos mortos, muitas vezes, antes do final desvanecimento.

segunda-feira, junho 17, 2013

icemen




"I see the color of your eyes turn to gray

I feel the wind is growing colder every day
Sometimes I open up the walls and disappear
Sometimes the crashing of the waves is all I hear



Ocean, help me find a way
Ocean, wash us all away"

quinta-feira, junho 13, 2013




"Take a seat next to me 
You know we got
We got what you need

We may be liars
Preachin' to choirs
But we can
We can sell your dreams

You don't need sympathy
They got a pill for everything
Just take that dark cloud
Ring it out to wash it now

Don't pray for us
We don't need no modern jesus
To roll with us
The only road we need is never givin' up
The only faith we have is faith in us"


quarta-feira, maio 29, 2013

um olho no burro & outro no cigano


acabou o tempo do apêndice. saio do casulo como entrei, mas em velho. é essa a diferença. agora é ficar alerta. "ter um olho no burro e outro no cigano". mas esse tipo de lições são as que tendemos a aprender sempre da mesma maneira: a pior. entretanto, estarei alerta, que há mais coisas para se aprender. saí do casulo, finalmente: algum valor isso há de ter.
Obrigado a todos os que estiveram presentes e me acompanharam nesta longa caminhada, que oficialmente se iniciou em Outubro de 2009, mas cujas raízes mais fundas espraiam-se até 2005. Se essas pessoas, além disso, ainda acompanham este blog, não só merecem o agradecimento como os parabéns, porque é esse o tipo de vínculo que me deixa realizado e acreditar que as coisas boas ainda subplantam as más.

domingo, maio 26, 2013


"Well, look down yonder Gabriel, put your feet on the land and sea 
But Gabriel don't you blow your trumpet 'til you hear it from me 
There ain't no grave can hold my body down 
Ain't no grave can hold my body down"

não é valentia. nem heroísmo.
é ausência de medo
e perseverança na dignidade dos actos simples.

terça-feira, maio 21, 2013

10 anos após, aqui estamos nós


"temos a voz e o dom
da multiplicação do pão
vocês são razão de orgulho
da região em que estão"

21/05/2003: o dia em que José Mourinho, Jorge Costa, Baía, Derlei, Deco, Alenitchev, Ricardo Carvalho e companhia provaram ao mundo em geral, e ao Porto em particular que ainda havia muito fuebol para jogar e currículo para acrescentar, ao ainda "clube das Antas"

domingo, maio 19, 2013

"não me envergonho de viver neste sonho, porque nele eu posso voar!"



"Surgia a alvorada e minh'alma sentia que podia erguer-se com o dia, num perfeito amanhecer. 
Mas não, não voltaste e o meu coração desolado partiu-se no chão para nunca mais sofrer.

Sei que fingia que a minha agonia se escoava no meu cantar. 
Não me envergonho de viver neste sonho, porque nele eu posso voar."

quinta-feira, maio 09, 2013

VENI, VIDI, VICI!

De ano para ano, de desafio para desafio, a TAFDUP deixou de ser sinónimo de um encolher de ombros envergonhado por parte de quem estuda pelas bandas dos Bragas, para fazer do Coliseu quase uma segunda casa. O Coliseu... Quem diria que o mítico e sarcástico "boa noite Coliseu!" de há uns anos, seria a nossa deixa de entrada para uma casa cheia, a concurso, a doer, quanto mais imaginar-me ouvir essa deixa junto com meia centena de gajos de preto nascida algures entre 86 e 94. A primeira a doer e não se ficaram a rir. Melhor Solista e Tuna Mais Tuna, como se não pudesse ser de outra forma, e fosse só "fácil!".
Ainda assim, dizia o outro da anedota: "deixa-os pousar!"


quarta-feira, maio 01, 2013

Chains & Freedom

"I spent most of my life in chains
For thirty five years serving others

Chains, chains, I'm in chains
You know I’ve been living in chains"








"Felt like the weight of the world was on my shoulders
..should I break or retreat and then return
Facing the fear that the truth, I discover
No telling how, all these will work out
But I’ve come to far to go back now.

I am looking for freedom, looking for freedom
And to find it cost me everything I have"

terça-feira, abril 23, 2013

céu de breu



Autómato de carne à chuva, que cai na epiderme vinda de dentro do corpo, mas não sai, nem se solta. Doente, como um engripado sem febre e carente como nenhum outro de cuidados. (...) Ou como morto, em modo voyeur, a assistir à procissão de tira roupa, veste o fato, chora lágrimas, mete no caixão, põe flores, chora lágrimas e reza a Deus.

segunda-feira, abril 08, 2013

"Um homem honesto vive desiludido. A felicidade pura é uma desonestidade ou, ao menos, uma tremenda desilusão."

valter hugo mãe

quarta-feira, abril 03, 2013

a viagem de R


"Tu és a escala
A mão que embala
Tomas bem conta de ti
Tu és a escala
A mão que embala
Tens um rumo a seguir 

E nada te esmaga, nada te acaba
Nada te encolhe, nada te alarga
Nada te tenta, nada te inventa
Nada te pesa, nada te aguenta
Nada te falha, nada te empurra
Nada se ri enquanto te esmurra
Nada te esfria, nada te guia
Nada te ofende ou te desvia 
Nada te pára."

PS.: continuarás a ser a medida perfeita do que é bom, autêntico e teu, sem medo, feliz, desejada e livre. seja qual for o teu lado do oceano. há forças que ainda foram banhadas pelas luzes das histórias, de um mundo ainda rebento, como aquela que nos trouxeste a esta escura desesperança do inferno, e agora levas rumo aos apeadeiros do futuro.

quarta-feira, março 27, 2013

Dear Brother



"Reminiscing on
Our indestructible days

The party never seemed to end
We donkey punched the night away

Sin after sin
Twenty Five / Seven
Some risky business my friend
Fortune seemed to favor us
Round every dark and twisted bend

No you can't cheat death, can't outrun the grim reaper
You can't cheat death, can't outrun the grim reaper

This glass I raise is heavy
Heavy as my heart this day
The reaper slipped right past us
Bastard stole your breath away"

quinta-feira, março 21, 2013

Back In The Days (For Christopher Wallace)


"Remember back in the days

I used to abstain
Jump across before daybreak
Back to '92 again
Drinking brew again
Never going back to school again
I used to abstain, abstain, abstain



Dressed in white
Running in the rain
And I never complained
Now I'm in all black
'Cause I'm stacked
With mad guilt on my back



I've given my name
I've given my name
I've given my name
I've given my name



Beat down like a freak down town
When nobody came on the bad days
How much medicine you wanna do you in
Pharmaceuticals
Coochie coochie 
Always thought I'd be dead in a grave



It's a good day when you know you got cloud on a cloudy day
It's a good day when you know you got cloud on a cloudy day
I've given my name
I've given my name
I've given my name
I've given my name"

sempre imaginei uma sequela diferente. para mim, para ti, para todos. no fundo sempre imaginei que fôssemos todos diferentes do que somos. personagens épicos, capazes de tudo. o tudo, no entanto, ficou algures pelo caminho. e somos homens e mulheres. apenas. isto não tem piada nenhuma, nem sequer uma sarcástica a justificar a vida, os sentimentos ou os valores. afinal, somos apenas estátuas: homenagens imóveis, saudosistas e menosprezadas.

sexta-feira, março 15, 2013

Leviathan





"After the deadlock and dazzle
 As good as, or better than gold
I lay down my guns on the table
First scarlet, then blue growing cold

Black light and smoke
Making a joke
In the haze of a setting sun"






quinta-feira, março 14, 2013

Rooftop Joe


"He was standing tall to the mirror

When she came to warn him of the jailors
And then he saw the tears rolling down her face
“surrender my dear...” he schemed a plan
He took a step, one single step outside and then he spoke

You behind the oak tree
You behind the oak tree, you’d better leave or die.

From the bushes, curled up behind the fear in their eyes,
With fright, they asked for his head
So he ran back, through the house, the hills, the wind and the rain.
There was led in the rain.

He left a bullet behind,  He left a bullet behind

Oh you never had a chance, did you? ROOFTOP JOE!
Oh you never had a chance, did you? ROOFTOP JOE!
Oh you never had a chance, did you? ROOFTOP JOE!"

quarta-feira, março 13, 2013

Odiar e não querer
Amar e não ter
Vociferar mas não dizer
Amargurar sem escrever.

Dizem: é tudo uma questão de espaço.
Espero: ser uma questão de tempo.
Hipoteco porções de vida a cada maço
Que hipoteca mais porções de pensamento.

O fim de todas as coisas nunca vai chegar.
O agora são ciclos infinitos.
Princípios e ideias nunca irão sarar
A troca do Homem pelos seus delitos.

terça-feira, março 05, 2013

metade preso, metade morto

as histórias daquele tempo passavam de boca em boca, em surdina esem ninguém ver, como palavrões sussurrados entre crianças. a fronteira entre a veracidade e a lenda esboroara-se à custa da dissecação das mais diversas motivações, façanhas e derrotas ou arrependimentos. gross modo, quem ouvia não acreditava, mas receava, mesmo assim. chegava-se a um ponto em que já tudo se sabia, de uma forma ou de outra, e quem não sabia ouvira dizer, também de uma forma ou de outra. à semelhança do desfecho dessas histórias, os seus receptores finais, os derradeiros escrutinadores, se encontravam metade preso, metade morto.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

- Pai, pai! Porque é que aquele senhor tem um prego na cabeça?
- Porque é estúpido, filho.
- Todas as pessoas com pregos na cabeça são estúpidos, pai?

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

encontrei os teus dentes




traz o vestido branco. é mais leve,
vai bem com a primavera que se esboça.
o sol ofusca dentro dos olhos e nós
cheiramos a oliveira e amêndoas.
reunimo-nos e rimo-nos como se fosse páscoa,
tu, presente, como se fosses tudo.
encontrei o teu vestido branco.
dá-me a mão e vamos os dois
com a primavera que se esboça.

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

deaf


"Take out the stories
They’ve put into your mind
 And brace for the glory
As you stare into the sky.
The sky beneath I know you can’t be tired."

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

General Miguel Patom, lead the way!



"Omaha 


We walk against the wind 
Take me there 
Take me there 



Omaha 



We swim against the current 
Take me there 
Take me there 



Omaha"

sexta-feira, fevereiro 01, 2013



"I'm not saying I love you
I won't say I'll be true
there's a crimson bird flying
when I go down on you

I'm so weary and lonesome
and it's cold in the night
when the path to your doorway
is a pathway of light

Do you wanna come walk with me?
Do you wanna come walk with me?
If you do baby say it now
Though we'll both wonder anyhow"



quarta-feira, janeiro 23, 2013

sexta-feira, janeiro 11, 2013

Sameiro

(fotos retiradas do site da Câmara Municipal de Penafiel)


(foto retirada do blogue: http://doaltodosameiro.blogspot.pt/)

A minha existência confunde-se com a Igreja e com o jardim do Sameiro. Em criança chamava-lhe "a minha igueja", segundo rezam os meus pais. Tantos anos depois, o Sameiro ainda tem em mim o efeito de Estrela Polar, a assomar-se no horizonte e a indicar o caminho para casa. Mas é também mais do que isso. Só fotos de casamentos da minha família já constituíriam um acervo considerável. Junte-se as tardes na infância a correr para trás e para a frente no jardim, das noitadas passadas nos tempos áureos do Bar do Lago, e agora das conversas contemplativas, lá do alto, autêntica varanda sobre o Vale do Sousa. O Sameiro tem, assim, um valor inestimável e incalculável na memória colectiva dos penafidelenses. É o nosso cartão de visita, são as nossas boas vindas aos turistas, é do nosso património mais emblemático a par do Mosteiro de Paço de Sousa, da Quinta da Aveleda, dos Arcos de Bustelo, da Anta de Santa Marta (entre outros).
Como é possível constatar das fotografias que estão em cima, o jardim do Sameiro está a ser escavacado de alto a baixo, fruto do novo passo do projecto de regeneração urbana de que Penafiel está a ser alvo. Sobre essa regeneração urbana já muita tinta se fez correr, quanto ás opções urbanísticas, quanto ao timing, quanto à sua necessidade e utilitariedade. Pela parte que me toca sempre adoptei uma posição moderada: mudar não é necessariamente mau, desde que a mudança se justifique e seja para melhor. Se tantas polémicas tem havido, então, desde já se vê que as mudanças, grosso modo consideradas, estão longe de ser queridas e necessárias. Mais uma vez, afirmo que cada caso é um caso, e algumas intervenções foram úteis interessantes, ao passo que outras, nem uma coisa nem outra.
No que ao Sameiro diz respeito, vê-lo neste estado aperta-me o coração. Sangra-me a alma. Tenho medo, mas um medo inominável do seu futuro, quase comparável ao medo que teria se um ente querido fosse subitamente atirado para uma cama de hospital, sem grandes esperanças de lá sair. De acordo com o que percebi do projecto para o Sameiro, no âmbito da regeneração urbana, divulgada pela Câmara Municipal de Penafiel, o triângulo em frente ao jardim (que já fora um seu prolongamento) seria unido, através da eliminação de uma das artérias que o ladeia ás casas do outro lado, criando uma praça, além de mais umas pequenas operações de cosmética. Não constava lá nada disto. Nada de trucidar o Sameiro. De relembrar que ainda há poucos anos o passeio do jardim, em frente á escadaria foi preenchido com granito e calçada, em substituição da terra, o que o tornou bastante mais atractivo para passear: ninguém mexeu no jardim. Quando a Igreja foi alvo de brutais obras de restauro (uma vez que estava a cair), foi feito um excelente trabalho, recuperando-se, inclusive a zona involvente: aproveitou-se para recuperar o jardim traseiro da Igreja, que se tornou mais airoso e o estacionamento menos anárquico. Mas desta vez não é disso que se trata. Trata-se de dar cabo do que estava bem feito. De dar cabo do lago, que também ele faz parte da memória e da história de Penafiel, através dos icónicos bailes que lá se faziam há décadas atrás. Ultrapassa-me o que é que pôde passar pela cabeça de quem quer que tenha concebido este projecto, para o levar a considerar que as coisas não estavam bem como estavam neste caso em particular. Mais: construir bares no passeio do Sameiro, pode ser só um boato, mas é assustador! Poupem-nos a argumentos de bolso como o ser preciso estar aberto à mudança, e que o resultado final vai ser melhor que o inicial, porque são bacocos e forçados. Uma pequena visita ao centro de Penafiel e depressa se encontrarão uma série de intervenções necessárias e da maior utilidade, e que não estão previstas nas obras de regeneração urbana, nem estarão. Algumas delas, dispendiosas q. b., mas aí sim, o dinheiro seria bem empregue. O drama aqui surge pelo esboroar de um ícone. Alargamentos de passeios, ok, alterações de sentido, concede-se, remodelação do parque radical, até que enfim!, praças á cota da estrada que passou a estar inclinada, haja juízo, mas nunca pior, agora invadir, pilhar e destruir parte da essência daquele que é o rosto da cidade e do concelho de Penafiel assume contornos de filme de terror. E não, não me parece que regeneração urbana seja ou deva ser isto, ou metade, ou um quarto disto sequer.
Penafiel assume-se como um bom exemplo de canteiro neste jardim à beira mar plantado, onde com tão pouco se consegue fazer tanto (Ignition, Escritaria, Agrival, Festa do Caldo, Evento Largo, etc), e com tanto consegue fazer tão pouco.

terça-feira, janeiro 08, 2013

Wires


"Kid, don't lose your cool, it's still too soon to have to choose a brighter doom
It's hard to believe, but I can see how there could be so little left to lose
(cracking open skulls like cans of beans on Christmas Eve)

Mama's not okay, she lights a candle for ev'ry day that you're away
Today could be the one she burns the motherfucker down her final act of grace
In an endless, pointless race

Kid, you're under fire, your
life is coming down to the wire
Maybe you'll take the Captain's hand, carry
his ship through burning sands
Cradle your rifle like a man

Mama says "No way," she's lost it all, you've got to stay to make her pay
She knows the fiend upon the throne's a goddam sucker for the stone
Until the day he dies alone

Succumb...
Succumb...
Succumb...
Succumb..."