quinta-feira, março 21, 2019

estudos, esboços & esquissos

Uma rima não é o meu mambo.
Eu vivo para cantar, mas não sambo.
Todo o esforço é inglório quando
És um escanzelado com uma fúria de Rambo.

Uma rima no tempo da adolescência
Era a arma para vomitar a essência
Do que nem às paredes gritava. Paciência!
Hoje calo-me por conveniência.

Quem é que quer enfrentar demónios todo o dia?
Chapar no espelho uma cara que não dormia
E não mostrar a mais ninguém, por simpatia?
Fica sempre na gaveta a melhor poesia.

Eu escrevo esta letra por medo.
Falo demasiado para poder guardar segredo
De ser figurante nesta vida
Protagonista do meu degredo.

Rimar de punhos bem fechados: é a cena.
Vociferar contra o Estado
Como se fosse culpado
ou se o Estado fosse a cena.

Engrandecer o inimigo
Para enobrecer a sua queda.
Mas quando eu combato, meu amigo,
É para continuar na merda.

Para carregar o peso duma luta sem sentido.
Ou a de todos aqueles que estão a contar comigo.
Em cada passo em frente, sinto o peso desses mundos.
Tenho de me rir se me vejo como o Atlas de Milhundos.

terça-feira, março 12, 2019

quanto mal mereço?


Não pelo todo, meu amor.
Avalia o que eu te diga pela capa.
Pela aparência. Pela rama.
Desliga-te do corpo encorpado.
Ignora a carga dilacerante do discurso.
Tudo se resume à pergunta
Que dei de barato em primeiro lugar.