This is prophylaxis, a practiced absence, a safer distance. He is a fine clinician to diagnose this, a sound decision. This is a family practice, it's anesthetic, it's nonreactive. This is a termination, a fine resemblance, but no relation.
terça-feira, fevereiro 27, 2024
quinta-feira, fevereiro 22, 2024
até os epsilões são úteis
"- Eles não conseguem aprender - disse o piloto de uniforme verde, apontando para os esqueletos no solo abaixo deles. - Nunca conseguirão - e riu, como se isso representasse um triunfo pessoal sobre os animais electrocutados."
quinta-feira, fevereiro 15, 2024
sábado, fevereiro 03, 2024
a sina dos bravos
"E é aí - disse sentenciosamente o director, à guisa de contribuição ao que estava a ser dito - que está o segredo da felicidade e da virtude, gostar daquilo que se é obrigado a fazer. Tal é o fim de todo o condicionamento: fazer amar às pessoas o destino social a que não podem escapar."
Aldous Huxley, "Admirável Mundo Novo"
domingo, janeiro 28, 2024
Vinte-Vinte-e-Três: diga lá outra vez!
Mantendo o hábito de assinalar os pontos altos do ano transacto musical em Janeiro, algumas notas aos meus leitores.
A) Os Lagartos e os Oceanos, tecnicamente, empataram. Ambos lançaram verdadeiros mananciais de jardas. E se o Holocene é mais um maravilhoso capítulo à ode geológica dos The Ocean, o Petradragonic é visceral, inquietante e termina (prenunciando o final do planeta Terra, quem sabe?), literalmente, em chamas.
B) De diversos projectos, de elevada qualidade que reinterepretaram música africana, o Scúru Fitchádu levou a taça. Menos intenso que o álbum interior, com ginga para todos os ouvidos que querem, mas não necessariamente para os que podem. "Olho por olho, dente por dente." Rei entre reis, num ano de excelentes e excitantes projectos em Portugal.
C) Descobri a malha do ano num festival à beira-rio em Crestuma, justamente por uma banda de conterrâneos meus, sobre fazer planos para depois do covid. Desconfinados, o mundo era nosso, a prisão tinha terminado. Foi tão respirar fundo outra vez fora de portas, ir a concertos, sentir que ir ao Japão voltou a ser tão possível como ir ao Sameiro, ou que Hollywood estava à distância duma final da Taça, ou até de Hollywood. E que bom foi esta epifania ter ocorrido no Vale do Sousa.
D) Gigs do ano voltaram a ser mais que muitos, mas a poderosa tinha de ganhar. Quem viu, apaixonou-se! Palavra de quem cantou o De-Loused in Comatorium, do início ao fim, debaixo de um temporal. Se os Mars Volta tivessem tocado a "Televators", talvez levassem o primeiro lugar. Mas não tocaram. Na verdade, até eles só ali estavam ali para ver a Rosalía, Cédric Bixler-Zavala dixit.
Melhores Álbuns Internacionais:
quinta-feira, janeiro 11, 2024
sábado, agosto 19, 2023
o diabo do advogado
há, sensivelmente, 10 anos eliminei o sufixo estagiário e tornei-me advogado de pleno direito. cédula e tudo. para ser exacto cumprir-se-ão 10 anos no dia em que irei iniciar uma nova aventura. a década é um número redondo, mas não apaga os 4 anos que o antecederam de prática na "trincheira", na base do "contra tudo e contra todos", que moldaram o profissional que viria a ser. findo o estágio conciliado com mestrado, aulas e exames da ordem, o mundo abria as suas possibilidades. fresh start. só que não, não é? "no one knows anyone else, ever", nada verdadeiramente começa, nada verdadeiramente acaba, não é? os aforismos batidos encadeiam-se uns nos outros, como as desilusões e as cerejas. ficou claro que os meus salvadores não me iriam salvar sem contrapartidas. e não havia montanhas de trabalho ou sacrifícios suficientes para provar o meu valor. e embora isto me parecesse muito certo e evidente, ainda não sabia a forma que a minha salvação iria assumir, nem como a alcançar. predispus-me a atirar a todas as oportunidades, obter paulatinamente o que me faltava, cumprir sonhos, ou meros desejos: o futuro não podia continuar a ser uma mera soma de trabalhos e encargos. esse caminho fez-me feliz, ainda que não sem esforço. possibilitou-me o carro, o lindy, pós-graduações, muitas viagens, ainda mais concertos, alguns amigos, desilusões de toda a ordem, e a certeza de que não podia duvidar do meu valor, que teria de ser a primeira das minhas preocupações para não ser pego quando o bicho corresse. "um olho no burro e outro no cigano", disse-me o meu ex-patrono no dia do meu último exame. não lhe faltava previdência. em suma, o meu sui generis, ainda que não romântico percurso, fez-me ser um adulto jovem, que não conseguiu ser um jovem maduro. mas há tempo para tudo creio, eu.
assim, construí a minha carreira, boa ou má, mas minha. sem deixar de atentar nas oportunidades que me foram surgindo, as quais diria que se foram tornando mais frequentes, e interessantes. até à derradeira que me permitiu sair do escritório, que foi como uma segunda casa, não própria, mas de família. daquelas que mingam e se afunilam com o nosso crescimento. o sentimento de claustrofobia excedeu o medo de não ser bom o suficiente e de o meu tempo ter passado. lá fui eu.
porque uma mudança nunca vem só, o famigerado título deontológico por que tanto me sacrifiquei foi mesmo chamado à colação. a promessa de um fim anunciado, de certa forma. "não vais conseguir manter as duas coisas", diziam-me, e por perrice consegui, até não me ser permitido mais. em todo o caso, o luto ficou feito. 6 meses volvidos, comovido lá cumpri o processo de meter a cédula no envelope rumo a lisboa, com o sentimento de dever cumprido. a verdade é que nunca fui melhor advogado do que sou pessoa. ofício e carácter sempre andaram nos mesmos trilhos, ao ponto de, suponho eu, dar a ideia de que é fácil. ser-se eu parece fácil porque permite ser-se divertido, sério, não muito rico mas alguém em quem confiar. a verdade é que nunca foi fácil. nunca o há de ser. mas a compensação por ser eu, a dar o melhor de mim, será também maior. ainda que longe, ainda que mais sozinho. mas com o coração no sítio certo, felizmente.
espero daqui a 10 anos, poder estar orgulhoso do rumo para onde me atirou esta mudança, tanto ou mais do que estou agora dos 10 anos que passaram. para alguém que nunca sonhou ser advogado, acho que não me safei nada mal.
em 2013, não acautelei o registo para a posterioridade que o momento exigia. mas por volta de setembro, baroness rockava forte e o mote era mais ou menos este:
em 2023, o último dia de causídico e de consultor foi marcado com mais prontidão, ainda que não com muito mais pompa.
quarta-feira, agosto 02, 2023
murder the universe
segunda-feira, julho 24, 2023
Lo Chiamavano King
Não me mantive sem playlists durante muito tempo. Ainda longe de saber se será uma vez sem exemplo ou se conseguirei manter-me fiel à nova cadência, que estipulei de 6 meses. Surpreendeu-me ter ficado satisfeito com uma duração semelhante à das playlists trimestrais, o que indicia um excesso de palha. O objectivo é o mesmo de sempre: retratar o período com músicas que andaram em loop, mais debaixo do ouvido no período em causa, neste caso, o primeiro semestre de 23.
Enjoy.

