sábado, agosto 22, 2026

ode e seia


esta casa não era senão um espaço vazio até que
tu fizeste esta casa. para aqui voltar. ser. sonhar. tu
construíste-te dentro destas paredes que não eram
tuas. agora são, mesmo quando esticas quem és
pelo país fora.  testando a elasticidade da tua cidadania,
das tuas amizades, família, conhecimento, ética. tu
pertences aonde fores mais necessário. mesmo
sendo tão necessário aqui, tu prolongas-te, até que haja
um caminho de regresso. marcado pelo fio de ariadne
ou pela memória do GPS. a marcar o sítio aonde
passaste a pertencer. e que é teu. em tempos
disse que o regresso nunca foi possível e é verdade.
não só porque não se regressa ao passado.
mas porque o passado mudou.

quarta-feira, julho 15, 2026

quem não?

"- Este Artur é prodigioso - dizia o Cesário. - Está aos dezanove como o Byron aos trinta. Com esta precocidade de sentimentos, há-de vir a ser um grande idiota."

Eça de Queirós, "A Capital"

quinta-feira, julho 09, 2026

once upon a time, I was falling in love, but now I'm only falling apart

 


Poucos gritaram "anos 80" com a rouquidão perfeita da querida Bonnie. Os clássicos são para sempre, é certo, mas a extravagância das luzes de outrora, vão-se esbatendo. Os cabelos do metal abrem lugar à calvície, as cores berrantes dos néons dão lugar a píxeis minimais, as vozes calam-se, e até as festas temáticas deixam de ser vendáveis. Os 80 deixaram de ser há 20 anos, e a sua magia é esmagada  pela memória, entre o psicadelismo cartoonesco dos 70 e a revolta-do-fim-da-história dos 90. Mesmo que "coisas estranhas" combatam o esquecimento, com maior ou menor eficácia, se estamos condenados a esquecermo-nos (e estamos), que nos salve o herói de quem a Bonnie tanto dizia precisarmos em tempos de apuro.

segunda-feira, junho 22, 2026

castelos na areia

 

Para mal das tuas expectativas escapistas, todas as estradas conduzem ao ponto de partida. Mais depressa muda o viajante que o destino. Por isso... muda.