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quinta-feira, fevereiro 12, 2026

after the flood



"Cada dia se torna mais difícil ser deus
e eu sozinho aqui à noite suicido-me de sono
vindo do vento vasto do inverno"

- Ruy Belo, em "Primeiro Poema de Madrid", "País Possível"

segunda-feira, novembro 17, 2025

caught a long wind

"Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto"

Ruy Belo, "O valor do vento", em "País Possível"




segunda-feira, junho 08, 2015

"O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto."

Ruy Belo, "Homem de Palavra(s)"

 

terça-feira, setembro 30, 2014





"É triste ir na vida como quem
regressa e entrar humil­de­mente por engano pela morte dentro
É triste no Outono concluir
que era o verão a única estação
Pas­sou o soli­tá­rio vento e não o conhecemos
e não sou­be­mos ir até ao fundo da verdura
como rios que sabem onde encon­trar o mar
e com que pon­tes com que ruas com que gen­tes com mon­tes conviver
atra­vés de pala­vras de uma água para sem­pre dita
Mas o mais triste é recor­dar os ges­tos de amanhã."


Ruy Bello, In "A mão no Arado"

segunda-feira, agosto 18, 2014

"Uma vez que já tudo se perdeu

Que o medo não te tolha a tua mão
Nenhuma ocasião vale o temor
Ergue a cabeça dignamente irmão
falo-te era nome seja de quem for

No princípio de tudo o coração
como o fogo alastrava em redor
Uma nuvem qualquer toldou então
céus de canção promessa e amor

Mas tudo é apenas o que é
levanta-te do chão põe-te de pé
lembro-te apenas o que te esqueceu

Não temas porque tudo recomeça
Nada se perde por mais que aconteça
uma vez que já tudo se perdeu"

segunda-feira, junho 30, 2014

tristeza com filtro de califórnia



"Mas agora que cantei da tristeza
não observo já os mais leves traços
e a minha maneira de me matar
é deixar cair ambos os braços."

Ruy Belo, "Tristeza Branda" in "Homem de Palavra(s)"

sexta-feira, junho 20, 2014

"Sou novo. Tenho por isso a razão pelo meu lado
Deixai os pássaros cantar as crianças brincar
o tempo não urge o coração não arde
Quem sou eu? Eu só e minha tarde"

- Ruy Bello, "A Minha Tarde" in "Homem de Palavra(s)"