Mostrando postagens com marcador Portugal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Portugal. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, julho 11, 2016

Uma alegria que não é deste mundo


Que longo caminho desde 2004, na final de todos os sonhos desfeitos. Ainda assim, com jogadores de coração endurecido, de carregadores de piano, cínicos pragmáticos e realistas, unidos em irmandade para o melhor e para o pior, a Selecção surpreendeu. Como em qualquer conto de fadas, depois dos percalços menores (meros tutoriais) ultrapassados a ferros, e com o príncipe encantado fora de combate, os heróis apareceram quando menos se esperava frente à apocalíptica besta negra que nos devora e humilha à 40 anos. Quão irónico e delicioso foi este volte-face quando o coração de todos tremeu com aquela entrada do Payet, e todos achávamos que íamos levar 4 ou 5. Eu achei que íamos levar 4 ou 5. Mas ser a equipa dos empates deu jeito. Aguentou o barco para o patinho feio se lançar num canto do cisne final sobre o monstro.
Que bem que nos fica esta redenção depois de tanto sofrimento e tanta frustração acumulada ao longo dos anos.
Que bem que nos fica esta alegria que não é deste mundo.

sexta-feira, junho 29, 2012



(há golos que nos catapultam para a felicidade. há apitos nos abandonam à tristeza. continuam a haver cabeçalhos que cavam a nossa campa. mas continuam a haver imagens que nos arrepiam.)

sábado, junho 11, 2011

da "garra indomável" e outras considerações

Não serei propriamente o típico homem do interior (uma vez que para todos os efeitos a minha cidade natal é no distrito do Porto, a meros 30 km do mar), no entanto, julgo-me mais ou menos capaz de compreender a realidade de um, bem como à "garra indomável" que Cavaco Silva recordou. Cavaco tornou-se muito revivalista: relembra o mar, a agricultura, o interior, tudo pastas cujo estado actual de coisas devem ao seu cunho. A desertificação do interior (a par da reciclagem, defesa do ambiente e outras baboseiras que tais) é algo com que sou confrontado desde os bancos de escola. Como tal, algo com que fui solidário desde que me lembro. Sempre julguei que não houvesse grandes discórdias quanto aquele tópico, por ser facilmente comprovável, no entanto, existe um snobismo latente que impossibilita que se ataque as causas do problema. Diz-se: o interior é bonito e as pessoas do interior são lutadoras; ao mesmo tempo desdenha-se que o interior é aldeia, e as pessoas do interior são incultas. Vá se lá saber porquê, o país cultivou uma admiração muito parola pelo seu interior, só apreciando a sua beleza pelo carácter de postal turístico, pelo potencial fotogénico para telenovela. No fundo o interior, e as suas gentes são tão bonitos, quanto um leão no jardim zoológico. Chegamos a uma altura em que já vemos de tudo: hotéis de 5 estrelas no Douro vinhateiro para aumentar a oferta de turismo, gente que menospreza tudo quanto ao interior diz respeito a avançar com teoremas para a sua preservação. Mas tudo isto é válido, ainda assim. O que na minha opinião urge combater é este sentimento de que o interior serve para agricultura, que as suas gentes são uma cambada de lavradores iletrados, que só merecem a nossa atenção por serem coitadinhos ou não saberem cuidar deles próprios. Porque isso é um erro tremendo. Mais ou menos simples, mais ou menos letrados, mais ou menos genuínos, mais ou menos íntegras as pessoas do interior não são extraterrestres, tão pouco débeis mentais, e descobrem um caminho, uma forma de sobreviverem ao esquecimento que lhes devotam. Como ao longo do século XX o fizeram para fora deste rectângulo maldito. Ninguém espera que num país onde a chica-espertice ainda recebe mais louvores que o esforço se perceba a importância de lutar por uma parte do país que há décadas (mais até?) está esquecida. Agora, dispensam-se discursos de coitadinho: o que as pessoas do interior não querem é que as continuem a tratar como portugueses de segunda. Talvez quando este ponto ficar assente, se possa começar a tratar de forma igual o que é igual e de forma diferente o que é diferente sem falsos paternalismos