Não serei propriamente o típico homem do interior (uma vez que para todos os efeitos a minha cidade natal é no distrito do Porto, a meros 30 km do mar), no entanto, julgo-me mais ou menos capaz de compreender a realidade de um, bem como à "garra indomável" que Cavaco Silva recordou. Cavaco tornou-se muito revivalista: relembra o mar, a agricultura, o interior, tudo pastas cujo estado actual de coisas devem ao seu cunho. A desertificação do interior (a par da reciclagem, defesa do ambiente e outras baboseiras que tais) é algo com que sou confrontado desde os bancos de escola. Como tal, algo com que fui solidário desde que me lembro. Sempre julguei que não houvesse grandes discórdias quanto aquele tópico, por ser facilmente comprovável, no entanto, existe um snobismo latente que impossibilita que se ataque as causas do problema. Diz-se: o interior é bonito e as pessoas do interior são lutadoras; ao mesmo tempo desdenha-se que o interior é aldeia, e as pessoas do interior são incultas. Vá se lá saber porquê, o país cultivou uma admiração muito parola pelo seu interior, só apreciando a sua beleza pelo carácter de postal turístico, pelo potencial fotogénico para telenovela. No fundo o interior, e as suas gentes são tão bonitos, quanto um leão no jardim zoológico. Chegamos a uma altura em que já vemos de tudo: hotéis de 5 estrelas no Douro vinhateiro para aumentar a oferta de turismo, gente que menospreza tudo quanto ao interior diz respeito a avançar com teoremas para a sua preservação. Mas tudo isto é válido, ainda assim. O que na minha opinião urge combater é este sentimento de que o interior serve para agricultura, que as suas gentes são uma cambada de lavradores iletrados, que só merecem a nossa atenção por serem coitadinhos ou não saberem cuidar deles próprios. Porque isso é um erro tremendo. Mais ou menos simples, mais ou menos letrados, mais ou menos genuínos, mais ou menos íntegras as pessoas do interior não são extraterrestres, tão pouco débeis mentais, e descobrem um caminho, uma forma de sobreviverem ao esquecimento que lhes devotam. Como ao longo do século XX o fizeram para fora deste rectângulo maldito. Ninguém espera que num país onde a chica-espertice ainda recebe mais louvores que o esforço se perceba a importância de lutar por uma parte do país que há décadas (mais até?) está esquecida. Agora, dispensam-se discursos de coitadinho: o que as pessoas do interior não querem é que as continuem a tratar como portugueses de segunda. Talvez quando este ponto ficar assente, se possa começar a tratar de forma igual o que é igual e de forma diferente o que é diferente sem falsos paternalismos
This is prophylaxis, a practiced absence, a safer distance. He is a fine clinician to diagnose this, a sound decision. This is a family practice, it's anesthetic, it's nonreactive. This is a termination, a fine resemblance, but no relation.
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sábado, junho 11, 2011
sábado, janeiro 15, 2011
ora viva a coerência!

(foto tirada na Avenida dos Aliados)
"O Presidente da República prometeu esta noite uma campanha "sóbria e contida nas despesas", sem um único cartaz exterior." in http://economico.sapo.pt/noticias/cavaco-promete-nao-colocar-outdoors-na-rua_102709.html
ora vamos lá ver, está certo que não é um outdoor, está certo. mas também não deixa de ser verdade que é BEM maior que um outdoor. estas presidenciais vão de vento em popa!
terça-feira, janeiro 19, 2010
O Novo Cruzado de Dom Cavaco
Santa Lopes condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo pelos serviços prestados ao país no exercício das funções de chefe de governo (funções essas, adquiridas de pára-quedas, e perdidas, poucos meses depois, nas urnas).
A notícia aqui.
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