terça-feira, novembro 19, 2013


"Desaba toda sobre mim, vem resolver o meu dançar
Que o corpo sobra se não dobra, nós fomos feitos para estragar"

sexta-feira, novembro 15, 2013

just ain't


(os durões serão sempre os piores lamechas. e quando o sabem, transformar a tristeza em comédia, pode fazer todo o sentido.)

terça-feira, novembro 12, 2013

"Dantes - mesmo muito tempo depois de me ter deixado - Anny inspirava os meus pensamentos, como se eu quisesse ser-lhe útil. Agora já não penso por ninguém, nem sequer me ocupo a procurar palavras. Mais ou menos depressa, uma corrente flui dentro de mim, mas não retenho nada. Deixo andar. A maior parte das vezes como não se prendem as palavras, os meus pensamentos ficam em estado de nevoeiro. Desenham formas vagas e engraçadas, depois imergem e esqueço-me logo deles."

Jean-Paul Sartre, in "A Náusea"


quarta-feira, outubro 09, 2013


"No entanto, dava-me a sensação que, podendo voltar atrás, teria tido uma vida idêntica à que levara. Porque esta vida - uma vida repleta de perdas - era eu. Era o único caminho de que dispunha para ser eu."

- Haruki Murakami, in "O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo"



quarta-feira, setembro 11, 2013

rimas que não rimam com nada

a tiragem do imperial pasquim desbobinava, acelerado!, largas primeiras páginas A3. eu, estava recortado, impaciente contra o vento e o sol poente do fim do verão, à espera das notícias. o coração ansiava por um cigarro, mas a razão, a decrépita e rabugenta razão, aconselhava a meter as mãos nos bolsos, contar as moedas, e aguardar o tranformar do mundo todo, ou a sua viragem no sentido da minha inspiração. atrás de mim, uma audiência onde a razão se discutiria mas argumentaria o coração, tardava, não se realizaria, eu já sabia. ficaria tudo na mesma, como até aí, adiado. as máquinas da gráfica continuavam a desbobinar papel furiosamente. eu não tinha tabaco quando saíram as primeiras páginas e as primeiras páginas apenas, um pouco pelo país todo. os cabeçalhos, as parangonas vinham em branco.


"Ser livre não é ser feliz. Ser livre é não deixar morrer o espírito."

- Miguel Guilherme, sobre Bocage

terça-feira, setembro 10, 2013


"Um carro topo de gama terá o seu valor, não o nego, mas não passa de um automóvel caro. Qualquer pessoa com umas massas pode comprá-lo. Ao passo que um bom sofá, exige discernimento, experiência e toda uma filosofia de vida. É impossível adquirir um sofá perfeito sem uma ideia clara do que é um sofá."

- Haruki Murakami, in "O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo"


sexta-feira, agosto 16, 2013

your jesse



O pessoal da terra já fazia fila só para coçar de ansiedade. A pergunta lançada à boca pequena: para quando sai o álbum de jesse? Ora do nada os ménes, puxaram dos trunfos, de um dia para o outro. Á cara podre e sem pudor. Começando com "Rayleigh Scattering e o descomunal trecho "DREAMERS / TAKE SHAPE OF PLANETS IN HOLLOWS / THROUGH SONGS OF UNIVERSE ", passando pela viagem frenética de "Gala The Left Eye Shut", o desamparo de "The Perfect Storm / A Broken Skyline", inseparáveis dos convidados especiais, até à apoteose catastrófica de "The Last Movie On Earth", jesse manipulam as nossas emoções enquanto injectam cosmos e matéria negra em recantos de alma que desconhecíamos existirem dentro de nós. Seria redutor dizer que jesse é um underdog do rock alternativo tuga, uma banda revelação a pisar os calos a quem aspira à Champions, porque na verdade jesse não é uma banda rock, é um projecto artístico.

terça-feira, agosto 06, 2013

maciço conquistador. avesso a toda a dor. eu prossigo cantor, a arder. eu posso escolher, mas não escolho amor. eu sou o que for, mas nunca serei menos que o horror.


quinta-feira, agosto 01, 2013

podre

o prémio de consolação é: umas vezes ganha-se, outras vezes perde-se, para a próxima é tudo diferente, preciso aprender com os erros, não se pode ir a todas. o desespero: quem pensa o filho da puta que é? não admito nunca mais semelhante, tranco-me em casa, não falo com ninguém nunca mais, passo fome, desato aos tiros, escrevo livros, choro muito, o que for, que se foda, não compactuo mais com mafiosices de quinta categoria como se precisasse delas ou como se alguma vez estar debaixo da pata de algum aspirante a senhor feudal me tenha deixado melhor do que o que estava. uns murros e cabeçadas na parede depois: umas vezes ganha-se, outras vezes perde-se